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O estranho mundo de Bollarux PTII

por Pinheirinho, em 02.09.15

 

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O Frio envolvia os corpos, apesar de serem muitos e aglomerados num pequeno espaço, o barulho do ar a invadir o espaço deixava os corpos em pele de galinha, o mais encolhida possível a pequena Bollarux olhava em redor e reparava que assim como ela ninguém tirara a mascara de oxigénio, via olhos para lá dos vidros sujos das mesmas que se mexiam olhando em redor, eram quase todos jovens tirando o corpo que antes estava debaixo dela, era de um senhor já velho, tinha o corpo coberto de pelo branco e rugas, estava totalmente imóvel a um canto, parecia nem respirar, Bollarux não tirava os olhos dele, intrigava-a, era o único adulto que via, tirando os da sua família nos últimos 20 dias, sempre que o sol nascia e sai-a para ajudar os doentes, já só via crianças a ajudar, nenhum adulto sobrevivera, mas ali estava um, sentado a um canto, imóvel.

Os seus pensamentos mudaram assim que sentiu que a sala estava a abrandar, parou, depois voltou a andar, mais devagar, depois voltou a parar, começou a andar para trás, parou, de repente a sala começou a mover-se, inclinando-se cava vez mais, por mais que se tentassem agarrar acabaram por escorregar ficando uns em cima dos outros, estavam assim quase colados a um dos lados, quando a porta se abriu e começaram todos a rolar dali para fora como toros num rio, foram abrandando até que pararam quase em linha uns com os outros. Do teto começou a cair água bem gelada sobre todos, enquanto que o chão se movia levando-os a atravessar 4 barreiras de água, quem tentava sair daquela passadeira batia contra uma barreira de luz que queimava a pele, deixaram-se ficar, iriam morrer com certeza por isso passado um bocado pararam de gritar e seguiram na passadeira passando pelas cortinas de água, uma, depois outra, depois outra, Bollarux contava as pessoas que estava com ela, era 15 no total, o idoso estava em terceiro na fila, ela no 13º.

Na posição onde estava podia ver os que seguiam à frente atravessar as cortinas de água, conseguia ver para lá da primeira barreira o primeiro que passou que ainda estava vivo, acalmou até chegar a sua vez, um depois outro foram passando, ainda deu um passo atrás pisando quem a procedia na fila mas assim que sentiu aquela água quente a cair sobre o seu corpo acalmou, à dias que não sentia o calor da água no seu corpo.

Do outro lado da barreira de água apenas ar quente tal e qual um gigantesco secador até que calmamente se aproximava de nova barreira de água e novamente água quente e do outro lado um gigantesco secador, já não estava nervosa, não tinha medo da barreira seguinte, novamente água quente, doce, suave a cair no seu corpo que agora já não estava sujo, do outro uma barreira de pó branco invadiu o ar, assustou-se, aquele pó colou-se ao corpo todo, começou a sacudir-se com as suas mão pequenas a tentar tirar o pó, mas parecia cola, quanto mais esfregava mais se colava ao corpo qual pasta dentífrica, Bollarux ficou cada vez mais assustada, nervosa, esfregava cada vez com mais insistência, gritou e gritou e gritou novamente, ninguém vinha em seu socorro, passou por uma nova barreira de água, novo secador e o seu corpo estava limpo, branco sorriu a olhar para as suas mãos, com a excitação não reparou que o tapete rolante acabava e chocou com o jovem que estava à frente dela, estavam agora numa plataforma, por cima deles, os mesmos homens todos vestidos de negro, no meio deles um homem todo vestido de branco falou-lhes.

- Podem retirar as máscaras, aqui não correm perigo, sejam bem vindos ao complexo dos puros, aqui não correm perigo, aqui somos todos irmãos!

Bollarux desconfiou, olhou em redor e ninguém tirava a máscara, olhavam-se uns para os outros a ver quem tinha a coragem de o fazer, Bollarux olhou para o idoso com insistência e ele retirou a máscara, respirou fundo, estava branco e lavado como ela apesar do seu corpo cheio de rugas e pelos brancos, era magro, o seu membro masculino estava mirrado, mas a sua cara estava suja e negra como os seus corpos estiveram antes, apenas se via os olhos azuis profundos a olhar à volta, atirou a pesada máscara para o chão e respirou bem fundo o ar puro que há muito não sentia.

Começou a rir, rir em voz alta, depois parou, olhou todos os outros e disse.

- podem retirar as máscaras, podem respirar ar puro, é seguro!

E todos o fizeram incluindo Bollarux que sorriu ao ver que não passavam de corpos lavados com cara suja.

- Sigam pela porta vermelha e venham conhecer o vosso novo mundo! – Gritou o homem de branco.

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publicado às 12:14


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