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Incerto Parte III

por Pinheirinho, em 24.04.05
Levantei-me devagar, a vontade não é muita para aturar aquele homem, “Mas o que foi que me deu para fazer uma coisas dessas? Porque foi que lhe dei a minha morada?”, fiz um pequeno compasso de espera, recompus-me o melhor que pude, coloquei uma postura firme e abri a porta.

- Que fazes aqui? – perguntei eu tentando esconder o terror de a ver à minha porta.

- Desculpa! Mas segui-te até aqui, depois fiquei ali fora a ganhar coragem para subir, preciso de falar!

- Mas....o teu marido.....ele está ai quase a chegar!

- Como? Estás doido? Fostes dizer onde eu estava? És parvo ou quê?

- Não sou parvo, ou melhor não era mas entrei em pânico e foi o melhor que arranjei.

- Isso foi o teu melhor? E agora? Se ele me vê aqui estamos os dois tramados!

- Espera tenho uma ideia...

- Deixa ver dizer que me encontrastes? E que eu vim aqui buscar as minhas coisas?

- Não, esconder-te!

- Neste teu apartamento? Achas que ele é parvo e que não o vai revistar todo?

- Ele que reviste, vêm comigo!

Levei-a até ao último andar do prédio onde estão as arrecadações, abri a porta de uma pequena sala, têm uma pequena secretária no meio e várias prateleiras cheias de discos e livros que quase parece que forram as paredes da pequena divisão.

- Ficas aqui, esta sala é insonorizada, aqui vais estar segura.

- Tens a certeza? e quanto há minha mala e documentos, vou precisar disso sabes?

- Calma podes ficar aqui com ela, além disso aqui tens rede o que quer dizer que quando ele te telefonar podes sempre dizer que estás em tua casa ou coisa parecida.

- Está bem, mas sabes, ele vai fazer-te montes de perguntas! Acredita!

- Não te preocupes cá me arranjo!

- Desde que não digas onde estou. – disse ela colocando um sorriso irónico, e piscando o olho de forma provocatória.

Desci as escadas a correr e entrei em casa, sentei-me no pequeno sofá e deixei-me levar pelos meus pensamentos quando bateram há porta uma vez mais, levantei-me e fui abri-la.

- Onde é que essa puta está? – perguntou ele ao mesmo tempo que me agarrou pelos colarinhos e me começou a arrastar pelas divisões a ver se ela estava por lá, arfava a cada passo que dava, mais parecia um touro enfurecido, ao pensar nisso saiu-me uma pequena risada que o fez para e olhar para mim.

- Estás a rir do quê? Deves ser parvo, se a encontro desfaço-te!

- Calma estou a rir porque ela não está aqui, só isso, nem sei como não se encontraram na rua!

- Então ela estava aqui? Vou-te matar homenzinho!

- Sim e não, ela veio aqui buscar as coisas, foi ao café onde se esquecera da mala e no café disseram onde eu morava então ela veio cá buscá-la.

- E lá estás tu outra vez a achar que eu sou parvo, homenzinho, mete isto na tua cabeça, eu não sou parvo. – disse ele gritando as palavras silaba a silaba no meu ouvido direito.

- Tenha calma e ponha-me no chão! Estou a dizer a verdade, porra, porque não lhe telefona?

- Telefonar-lhe! Boa ideia se ela estiver aqui ouço o telemóvel e depois parto-lhe as fuças, pode ser?

- Pode, eu sei que ela aqui não está por isso esteja à vontade, quer utilizar o meu telefone?

- Não seja parvo, homem!
Dizendo estas palavras, tirou o seu telemóvel de dentro do casaco e começou a fazer a chamada, depois olhou para mim e com uma voz carregada de ironia disse.

- Já está a chamar, prepare-se!

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publicado às 17:44


1 comentário

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De Anónimo a 24.04.2005 às 17:54

Olá! Sou brasileiro e acabo de (três meses) fazer um blog na terrinha! Espero compreender um pouco sobre o sentimento português através dos blogs vossos e levar um pouco da cultura, política e economia do Brasil! É meio pretensioso mas vou tentar. Visite o meu blog, e se possível, comente! Se lhe agradar é claro! Abraços!
http://antoniofnogueira.blogs.sapo.pt/
Antonio
(http://antoniofnogueira.blogs.sapo.pt/)
(mailto:www.nogueirajunior01@ibest.com.br)

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