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O estranho mundo de Bollarux

por Pinheirinho, em 21.08.15

Sci-Fi-Gas-Mask-005.jpg

 

 

 

Era mais uma noite como as outras, há mais de vinte noites que o cenário se repetia numa sequência de acontecimentos sem fim,

- Pôr do sol, soam as antiaéreas, o som dos motores das gigantescas plataformas voadoras ecoam por toda a cidade, começam a cair as primeiras bombas, a noite fica inundada de gritos, lamentações e agonias, as explosões silenciosas enchem a noite de clarões de luz que cegam quem as olha, as nuvens de veneno invisível, cobrem o ar tornando-o irrespirável, nasce o sol, socorrem-se as vitimas.

Mas agora ainda há pouco se deitou o sol, no ar apenas o ecoar dos motores, mentalmente conta-se o tempo e o aumentar do som, cada vez mais perto, mais próximo, resistir vinte noites disto não é para todos, mas a esperança está a desaparecer, cada vez morre mais gente conhecida, mais pessoas das quais me lembro dos nomes, dos cheiros, dos sons, cada vez mais só, numa cidade de ratos escondidos, onde mais minuto, menos minuto começarão a cair bombas, bombas que nada destroem a não ser na queda, apenas um estilhaçar e um libertar de uma luz quente e brilhante e do seu conteúdo venenoso, os médicos dizem que as mascaras de oxigênio protegem, mas aquele gás entranha-se no corpo. é absorvido pela pele, pode não matar ao contacto, mas vai transformando as pessoas, a principio é apenas uma mancha pequena, depois alastra-se, ao mesmo tempo que descolora a pele, atrofia também músculos e tendões, as pessoas vão ficando encarquilhadas, recurvadas sobre si próprias gritando em agonia, até que acabam por tombar ao cansaço numa morte lenta e agonizante.

Bollarux é apenas uma jovem órfã, toda a sua família faleceu da doença, sucumbiram em agonia mesmo à frente dos seus olhos, apesar de terem e usarem a mesma máscara que ela, todos já partiram, menos ela, ela resiste a mais uma noite, sentada a um canto, até que embalada nas asas do cansaço adormece, até que o sol nasça na manhã seguinte.

Foi acordada violentamente pelo som de coisas a partir, algo se aproximava dela, o ruido era intenso, de repente, parou, silêncio absoluto, o seu coração batia a mil à hora, o silêncio era tanto que só se ouvia o seu pequeno coração, passaram-se o que lhe pareceu, horas, horas infindáveis, era de noite sentia-o, mas não se ouvia nada, nem um só ruido de agonia, nada, só o seu coração batia, pum-pum, pum-pum, pum-pum, tentou levantar-se para olhar a rua, endireitou as pernas que deram um estalido ao serem esticadas.

- Pum! Um grupo de sombras negras arrombaram a porta e entraram em sua casa, cercando-a.

Em pé, mas tremendo de medo olhando o chão com medo e levantar a cabeça, viu por detrás da máscara que aquelas sombras tinham pés, pareciam homens, as botas e as calças era tudo o que via, tentou erguer um pouco o olhar, mas foi agarrada pela cintura e colocaram-lhe um saco negro sobre a cabeça, foi colocada aos ombros de alguém que proferiu algumas palavras numa língua que não conhecia, foi levada para a rua, sentiu o ar frio da rua a bater-lhe na pele nua, era um dos efeitos do gás, tudo corroía sendo que a roupa foi a primeira a desaparecer, foi atirada para dentro de algo, sentiu corpos por baixo dela e um deles gemeu, retirou rapidamente o saco da cabeça e tudo o que viu foi um amontoado de gente nua, homens mulheres e crianças, num pequeno espaço fechado que agora se pusera em movimento.

Sentou-se e encolheu-se sobre si própria e com a cabeça entre as mão, chorou,

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publicado às 16:37


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