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Maria Albertina

por Pinheirinho, em 01.11.14

mãe

 

 

Nasceu em plena segunda guerra mundial, num típico e pobre bairro lisboeta, era a quarta de cinco irmãs e não teve a melhores da infâncias, cresceu entre brincadeiras de criança e temporadas em hospitais a contas com uma persistente anemia que levava a que perdesse anos de escola, mesmo assim sempre que estava melhor voltava á escola o que a levou a fazer três anos num só.


Era uma miúda inteligente e tinha uma força de viver imprópria para a idade, de tal forma que ainda pequena tirou a sua irmã mais nova de um berço em chamas, mas isso não a fez ser capa de jornais ou abrir noticiários, eram outros tempos outras mentalidades, em vez disso continuou apenas a ser criança.


Acabada a escola o que acontecia depois de acabar a quarta classe, começou a trabalhar na industria têxtil, cerzideira, era esse o nome do que fazia, mas foi feliz no que fazia, fazendo muitas amigas e permitindo que livre da anemia começasse a sonhar como a adulta que era.
Sonhava com o amor e com uma vida de casada e com filhos, sonhava com galãs, teve vários pretendentes de pobres a ricos, mas todos recusava, sonhava com o amor e foi isso que encontrou, apaixonou-se e engravidou, mas mal sabia ela que o seu galã era forçado a casar porque engravidara uma menor.


Ficou desolada e grávida, seria uma mãe solteira dentro em breve, mas teve mais um pretendente, um jovem nortenho de Mirandela que viera trabalhar para Lisboa, conquistou-a na insistência e no nunca desistir mesmo sabendo que ele estava grávida de outro.


Juntaram trapos e tiveram vários filhos, nove no total, três não tiveram o prazer de conviver com ela pois faleceram à nascença, outros seis juntaram-se em vida ao fruto do amor, uma delas, a minha irmã lindinha, como era conhecida faleceu com dois anos de vida, mas esta mulher que nunca teve uma vida fácil nunca desistiu, lutou sempre e mesmo depois de perder quatro filhos perde também o marido para uma lambisgóia que nunca teve nada.


Mesmo assim esta mulher fez de tudo para educar os seus filhos, usando apenas o que tinha, uma reforma de invalidez que quase não dava para nada, educou, alimentou e vestiu os filhos, eram quatro pois dois já haviam casado, mas ela não desistiu nem caiu na tentação fácil, fez tudo para que fossem homens e mulheres, tomou conta de netos e sobrinhos, tomou conta de desconhecidos que tratou como se fossem da família.


Mas aquela menina anémica e fraca tornou-se mulher, mãe, avó, bisavó.
Falece hoje, quase a fazer 74 anos de uma vida longa, cheia.
Descansa em paz mãe e que agora possas fazer o que sempre fizeste nos sonhos, voar e ser livre, voar e nunca mais parar que um dia todas as vidas que tocaste voarão a teu lado!

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