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Incerto Parte IV

por Pinheirinho, em 30.04.05
Afastei-me para lhes dar alguma privacidade na conversa, não estava interessado em saber do que falavam e nem queria ter nada a ver com isso, desde que ela fosse convincente na mentira e ele acredita-se para mim seria um alivio vê-lo fora do meu apartamento, ele enquanto falava ao telefone olhava para mim de forma irónica, soltando um sorriso de vez em quando e isso sim deixava-me preocupado, mas mesmo assim decidi não chegar muito perto, em vez disso fui criando uma conversa fictícia na minha cabeça,

- Então, onde estás?

- Em casa amor e tu?

- Vim buscar a tua mala a casa de um idiota que acha que sou parvo!

- Eu também ai fui busca-la, ele estava nervoso porque achava que lhe ias dar porrada.

- Pois, se calhar até merece para não ser tão idiota. “neste exacto momento ele soltou um dos seus sorrisos cínicos e fiquei na duvida”

Ele desligou o telefone e olhou-me em silêncio durante breves momentos.

- Bem, parece que ela já está em casa. – disse ele enquanto colocava o telemóvel no bolso do casaco, depois apontou para mim de forma ameaçadora e soltou um:

- Mas ponha-se a pau, já sei onde mora e se reparo que fui enganado por ela, volto aqui para tirar satisfações, ponha isso na sua cabeça!

Abriu a porta da rua e saiu, olhou mais uma vez para trás, depois desapareceu nas escadas, corri para a janela para o ver sair do prédio, o que só aconteceu passado uns cinco minutos, deve ter estado há coca nas escadas para ver o que eu faria, depois sentou-se num dos muitos canteiros que ficam de frente para o prédio, acendeu um cigarro e deixou-se ficar ali a olhar.

A principio fiquei preocupado, “E agora?”, pensei, pensei e continuei a pensar, “Tenho de lhe dizer que ele não sai daqui da frente do prédio”, apaguei as luzes e acendi a televisão, deixei-a ligada como prova de que estava em casa, abri a porta da rua e subi ás arrecadações, ao abrir a porta vi-a sentada na minha poltrona de pele daquelas com massagem incluída a ler um dos muitos livros que tenho por ali, ela virou-se para mim e sorriu como há muito não via.

- Estava a ler este teu livro, sempre adorei esta parte, escuta! – fez uma pequena pausa, inspirou e começou a ler em voz alta e de forma compassada.

“Olhando em seu redor, Valestes parecia mais preocupado em arranjar uma desculpa do que responder há pergunta de Danna, ela olhava-o nos olhos, batia com o pé no chão e tinha as mãos sobre as ancas, soltou um “vá desembucha, homem!”, ele continuava a tentar escapar-se mas lá lho disse, “Sim gosto de ti, sempre gostei, desde que te vi pela primeira vez na fonte a lutar com os miúdos mais velhos da escola e na qual apanhei uma tareia por te defender, apesar de não ser necessário, já que eras tu que estavas a bater neles todos, estavas de camisa branca vestida, estava toda suja de terra mas mesmo assim era branca e estava também rasgada numa manga, ajudaste-me a levantar e agradeceste-me o que fiz, disseste-o ao mesmo tempo que rias, depois começastes a sacudir o pó da tua roupa e lavastes a cara nas águas límpidas da fonte, reparei o quão branca eras e como isso te fazia sobressair esses belos olhos verdes, tinham um brilho especial e quando sorrias coravas e os olhos brilhavam como dois faróis na noite escura, sei que era pequeno para reparar em tanto e durante muito tempo pensei que sonhara com um anjo mas sempre que olhava para ti sabia que tinha sido real.”

- Esta parte não te diz nada? – perguntou ela piscando um dos olhos.

- Fui eu que a escrevi. – disse eu corando.

- A danna é baseada em mim certo?

- Sim e eu sou o pobre Valestes, mas a descrição está muito pobre, tu és mais do que isso. -ela sorriu e vi-a corar, olhou-me e perguntou.

- É seguro descer?

- Não ele decidiu ficar sentado há porta do prédio a olhar para o meu apartamento, por isso é melhor ficares por aqui hoje, vou-te trazer algo para comer, lençóis, almofadas e cobertores e podes dormir aqui, não parece mas essa poltrona se for toda esticada dá uma boa cama!

- Aceitarei a tua hospitalidade. – disse sorrindo mais uma vez e ajeitando a poltrona a ver se eu tinha dito a verdade.

Desci até minha casa, peguei em lençóis lavados, alguns cobertores e em duas almofadas e pus de parte, depois fui ao frigorifico onde tinha algumas doses de bacalhau há Brás, retirei duas e aqueci-as no microondas, decidi fazer um sumo de laranja natural porque sei que ela gosta e levei tudo para cima, jantámos os dois por ali, falámos durante horas até que me fui embora e a deixei a descansar, dei-lhe a chave da arrecadação para a deixar há vontade e fui para o meu apartamento, durante todo aquele tempo com ela não pensei em mais nada e por isso dirigi-me até há janela e lá estava ele ainda, sentado e a olhar.

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publicado às 17:24

Incerto Parte III

por Pinheirinho, em 24.04.05
Levantei-me devagar, a vontade não é muita para aturar aquele homem, “Mas o que foi que me deu para fazer uma coisas dessas? Porque foi que lhe dei a minha morada?”, fiz um pequeno compasso de espera, recompus-me o melhor que pude, coloquei uma postura firme e abri a porta.

- Que fazes aqui? – perguntei eu tentando esconder o terror de a ver à minha porta.

- Desculpa! Mas segui-te até aqui, depois fiquei ali fora a ganhar coragem para subir, preciso de falar!

- Mas....o teu marido.....ele está ai quase a chegar!

- Como? Estás doido? Fostes dizer onde eu estava? És parvo ou quê?

- Não sou parvo, ou melhor não era mas entrei em pânico e foi o melhor que arranjei.

- Isso foi o teu melhor? E agora? Se ele me vê aqui estamos os dois tramados!

- Espera tenho uma ideia...

- Deixa ver dizer que me encontrastes? E que eu vim aqui buscar as minhas coisas?

- Não, esconder-te!

- Neste teu apartamento? Achas que ele é parvo e que não o vai revistar todo?

- Ele que reviste, vêm comigo!

Levei-a até ao último andar do prédio onde estão as arrecadações, abri a porta de uma pequena sala, têm uma pequena secretária no meio e várias prateleiras cheias de discos e livros que quase parece que forram as paredes da pequena divisão.

- Ficas aqui, esta sala é insonorizada, aqui vais estar segura.

- Tens a certeza? e quanto há minha mala e documentos, vou precisar disso sabes?

- Calma podes ficar aqui com ela, além disso aqui tens rede o que quer dizer que quando ele te telefonar podes sempre dizer que estás em tua casa ou coisa parecida.

- Está bem, mas sabes, ele vai fazer-te montes de perguntas! Acredita!

- Não te preocupes cá me arranjo!

- Desde que não digas onde estou. – disse ela colocando um sorriso irónico, e piscando o olho de forma provocatória.

Desci as escadas a correr e entrei em casa, sentei-me no pequeno sofá e deixei-me levar pelos meus pensamentos quando bateram há porta uma vez mais, levantei-me e fui abri-la.

- Onde é que essa puta está? – perguntou ele ao mesmo tempo que me agarrou pelos colarinhos e me começou a arrastar pelas divisões a ver se ela estava por lá, arfava a cada passo que dava, mais parecia um touro enfurecido, ao pensar nisso saiu-me uma pequena risada que o fez para e olhar para mim.

- Estás a rir do quê? Deves ser parvo, se a encontro desfaço-te!

- Calma estou a rir porque ela não está aqui, só isso, nem sei como não se encontraram na rua!

- Então ela estava aqui? Vou-te matar homenzinho!

- Sim e não, ela veio aqui buscar as coisas, foi ao café onde se esquecera da mala e no café disseram onde eu morava então ela veio cá buscá-la.

- E lá estás tu outra vez a achar que eu sou parvo, homenzinho, mete isto na tua cabeça, eu não sou parvo. – disse ele gritando as palavras silaba a silaba no meu ouvido direito.

- Tenha calma e ponha-me no chão! Estou a dizer a verdade, porra, porque não lhe telefona?

- Telefonar-lhe! Boa ideia se ela estiver aqui ouço o telemóvel e depois parto-lhe as fuças, pode ser?

- Pode, eu sei que ela aqui não está por isso esteja à vontade, quer utilizar o meu telefone?

- Não seja parvo, homem!
Dizendo estas palavras, tirou o seu telemóvel de dentro do casaco e começou a fazer a chamada, depois olhou para mim e com uma voz carregada de ironia disse.

- Já está a chamar, prepare-se!

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publicado às 17:44

Incerto Parte II

por Pinheirinho, em 18.04.05
Transpus a porta de casa, liguei as luzes do meu pequeno apartamento de Lisboa e atirei com a mala para cima do sofá vermelho, pousei o portátil sobre a pequena secretária e segui o mesmo caminho da mala, caindo desamparado sobre o mesmo e ainda bati com a nuca na parede, quando deitei as mão há mala para poder tentar descobrir uma morada, numero de telefone, cartão da empresa ou qualquer outra coisa que me indica-se onde encontrá-la, senti a mala a vibrar, “Boa! Um telemóvel!”, coloquei a mão no interior da mesma e lá o encontrei, reparei que no visor dava a indicação de Carlos, decidi atende-lo podia ser ela a telefonar do telemóvel do marido, ou de um amigo.

- “Tou, porra, onde andas?”

- Tou sim quem fala?

- “Mas quem porra é você? E o que faz no telefone da minha mulher?”

- Daqui fala o Bino, Albertino Cardoso! E.......

- “Mas e o que faz o senhor com o telefone da minha mulher? Passe lá o telefone a ela que já me vai ouvir!”

- Ela aqui não se encontra! Eu.....

- “Como não se encontra? Passe já o telefone a essa puta que já me vai ouvir!”

- Mas já lhe disse que ela aqui não está! Eu ......

- “ Ai o caralho! mas estás a gozar comigo é? Mas pensas que eu nasci ontem? Passa lá o telefone há puta, antes que eu me zangue, ou pensas que eu não sei onde te encontrar? Eu conheço-te pá, tu não me lixas mais, passa isso há puta e é já!”

Comecei a ficar um bocado em pânico, mas o gajo nem me deixava falar e já me queira dar porrada, tenho de arranjar maneira de sair desta, imaculado.

- Peço desculpa, mas acho que não me fiz entender, chamo-me Doutor Albertino Cardoso e estou a atender o telemóvel da sua senhora, porque achei esta mala num café e estava a tentar saber de quem era para a tentar devolver mas o sen......
Fui interrompido por uma extensa gargalhada que quase me gelou os ossos, “Pronto estou tramado!”, pensei!

- “Hahahahah! Mas você quer que eu acredite nessa chachada? Já lhe disse que não sou parvo, ou você passa o telefone há puta ou então eu desfaço-lhe a cara!”
Tenho de manter a frieza, se arranjo nova desculpa então é que estou tramado.

- A sério senhor, tenha calma, não quero chatices, apenas desejo devolver as coisas há sua senhora, se soubesse que ia dar tanta chatice teria entregue isto aos perdidos e achados da esquadra de Policia mais próxima, mas sei que se fosse comigo preferia que me a viessem entregar as coisas e não tivesse de andar por ai de esquadra em esquadra há procura.

- “Acho isso muito estranho, não me convence homem, doutor né? Pois sim, deve mesmo ser, aposto que ela está ai bem caladinha há espera de que eu desligue para se rirem nas minhas costas, diga-me onde está que eu vou ai buscar isso!”

- Por mim pode ser, assim resolvo já esse assunto, pegue num papel para anotar a morada!

- “Já o tenho, vá dispare lá isso!”

- Rua Nobre José Canhas numero trinta e seis, segundo direito.

- “E isso fica ao pé do quê?”

- Fica mesmo perto de alvalade e não é do estádio é alvalade mesmo, perto da igreja.

- “Vou já para ai e se me estiver a enganar tenho amigos que descobrem onde você mora e depois faço-lhe a folha! Tá a ouvir?”

- Sim claro que ouvi e não se preocupe eu daqui não saio!

A ligação foi desligado do outro telefone, fiz o mesmo no meu e desatei a procurar na mala com mais afinco, encontrei alguns cartões de restaurantes, outro de um mecânico um de uma empresa de advogados, comecei a fotocopialos o mais depressa que pude nunca se sabe quanto tempo ele vai demorar, fiz o mesmo com os cartões de identidade dela, e de contribuinte até o do banco fotocopiei, achei ainda um livro com vários números de telefone e não perdi tempo e fotocopiei-os também, sei que posso estar a entrar na vida privada dela, mas eu amei-a em tempos e não vou ficar de braços cruzados enquanto aquele porco andar por ai a chamar-lhe puta e outras coisas e se calhar até a bater-lhe, pelo menos parecia agressivo.

Quase uma hora e meia depois da chamada telefónica acabar, fui despertado dos meus pensamentos quando a campainha tocou.

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publicado às 19:44

Incerto Parte I

por Pinheirinho, em 14.04.05
De hoje a exactamente cinco longos anos, estou sentado na mesa do costume, no habitual sitio onde decido estar calmamente a beber um café e a escrever alguns pensamentos no portátil, é um daqueles dias em que tudo o que sai tem o caminho do lixo, o desespero instala-se o café está quase no fim e o dia esse ainda a meio.

Sou rapidamente despertado por uma voz do passado vinda do balcão, “Era um batido de banana e uma tosta mista, se faz favor!”, aquela doce voz que mais parecia veludo a passar pelos meus tímpanos, despertou memórias antigas, antigas paixões, só podia ser ela, quem mais? Olhei de forma escondida para os variados espelhos que ficam de frente para quem está ao balcão, vi aqueles olhos esverdeados que há anos não tinha o prazer de ver, a pele branca, e a maneira como corou quando o empregado deixou escapar uma piada para um dos outros clientes.

Via dirigir-se para uma mesa ao canto da sala e sentar-se de costas para mim, pensei vezes e vezes sem conta se lá devia de ir ou não, afinal de contas eram cinco anos sem a ver, muito tempo sem ter o prazer de ver o meu sol, era assim que dizia que ela era, um sol. Levantei-me, desloquei-me lenta e compassadamente, ao chegar bem perto reparei na aliança que ela envergava, fiquei com duvidas de lhe falar, para quê? Mas por outro lado, porque não? Sorrateiramente aproximei-me do seu ouvido direito e perguntei.

- Quem é o sortudo?

Ela virou-se, ficando a olhar-me quase que de esguelha, mas reconhecendo-me, sorriu e deixou escapar entre sorrisos, um.

- Diz antes! Quem é a azarada? Porque essa conheces.

- Azarada? É assim tão mau?

- Não, não é mau, para alguns não deve de ser, para mim é e muito, fazemos escolhas e
achamos que as fizemos bem, mas quando percebes que se calhar estavas errado e

talvez devesse-mos pensar um pouco mais no futuro e não tanto no presente, a escolha seria sempre outra, mas o que foi, foi e agora já nada interessa.

- Como não interessa? interessa sempre, enquanto esta máquina a que chamamos coração se mantiver a bater, interessará sempre.

- Belas palavras para quem a vida é um computador e um café.

- É o que se têm quando a nossa escolha se mantêm, mesmo que a escolha de outra nos leve a pensar que não vale a pena mante-la. Eu sou e serei persistente, tal qual a rocha no caminho das água bravas do oceano, um dia a rocha se gastará e dela nada resta, é como nós, um dia estaremos gastos de mais, mas ao encontrar-mos a rocha ela há de perguntar, “Valeu a pena, essa longa espera?” e nós com toda a nossa sabedoria havemos de responder, “vale sempre a pena, nem que seja só pelo tentar, se não o fizer-mos como saberemos se vale ou não a pena!”.

- E valeu?

- Claro, se eu não tivesse esperado, agora não estaria aqui, a olhar para o mais belo olhar que os meus pobres olhos tiveram o prazer de ver, se eu fosse religioso diria que estou a ver um anjo, se pelo contrário fosse marinheiro diria que é uma sereia, mas sou apenas eu, um pobre coitado que acha que é escritor, por isso direi que estou perante a minha musa.

- Para com isso! não sou nada dessas coisas, sou apenas uma mulher mal casada, um humano com os seus defeitos e muitas poucas virtudes.

- Aos teus olhos, talvez, aos meus não.

- Mas tu sempre vistes as coisas como se tudo fosse um sonho, tudo para ti sempre foi de extremos, ou era preto ou branco, nunca nada estava no meio, nada para ti é cinzento.

- Queres que minta? E que diga que és feia, só para te deixar feliz? Que tal uma sondagem? A democracia têm os seus defeitos mas a escolha de muitos sempre deram os resultados certos.

- Pronto, está bem, desisto.

- Desistes? Assim? Espera onde vais? Vêm ai o teu pedido? espera?

- Bebe-o tu!

E rapidamente sem que nada eu pudesse fazer saiu porta fora, olhei cabisbaixo para a mesa, entrelacei os dedos e levei as mão à testa, abri os olhos e vi que a mala dela ficara ali, na cadeira do lado, “Tenho de a apanhar, tenho de a devolver”, Peguei na mala, coloquei o portátil debaixo do braço, deixei cair uns Euros para o balcão pelo café, o batido e a tosta mista e saí a toda a velocidade a ver se ainda a apanhava, mas ao transpor a porta fui abalroado por um comboio de gente que me fez voltar a entrar no café, sentei-me, olhei em redor, peguei em tudo e fui para casa, “Em casa vou ver na mala dela se tem uma morada ou outro modo de a encontrar”.

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publicado às 18:03


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