Sexta-feira, 4 de Setembro de 2015

O estranho mundo de Bollarux PT III

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Passaram renitentes pela porta vermelha, entrando num corredor que parecia interminável, de cada um dos lados portas pretas sem numero ou fechadura até se perderem de vista, o homem que seguiam vestido de branco assim como os que o secundavam vestidos de preto camuflavam-se na paisagem parecendo quase invisíveis, não existiam sombras, as luzes do corredor estavam no chão e no teto, o que os impelia a olhar em frente para não serem encadeados pela luz branca e forte, de repente e sem verem bem o que estava a frente viraram à esquerda, Bollarux estava tão desatenta que quase nem reparou no corredor, seguiu-os acelerando o passo, ainda chegou a pensar em ficar para trás, mas atrás dela vinham mais dois vestidos de preto acompanhados por um vestido de branco.

Viraram depois à direita, depois esquerda, novamente direita, direita, esquerda e novamente esquerda, parecia que estavam a andar à horas, os corredores eram todos iguais, podiam até estar apenas a andar ás voltas, viraram novamente à esquerda e pararam em frente a uma porta que além de preta tinha uma pequena luz amarela no meio, que se apagou assim que a porta se abriu.

Assim que entraram na sala, repararam que estava cheia de camas, a sala era igual aos corredores, completamente branca, aqui só as camas eram pretas e a única coisa que destoava era algo de cor amarela em cima das camas.

- cada cama tem uma foto vossa, procurem a vossa cama, lavem as vossas caras com a toalha branca em cima das mesmas, vistam o fato amarelo que daqui a 5 tempos serão chamados! – Disse o homem de branco que à pouco seguiam, depois tanto os de branco como os de preto saíram da sala.

Bollarux farta de sentir a cara suja foi procurar a sua foto, encontrou a mesma foto que tirara há meses atrás quando ainda estava na escola, olhou-se, depois para o espelho atrás da cabeceira da cama, o quanto estava diferente, o seu cabelo liso e longo que lhe passava o meio das costas, estava agora desgrenhado e cheio de cornucópias, os seus olhos do mais profundo azul estavam mais esbatidos e apareciam dentro de duas covas enormes na sua face, quase que parecia que estavam no fundo de um poço, o seu sorriso jovial, era agora constituído por dois lábios secos e gretados, pegou na toalha sobe a cama e passou-a pela cara e foi esfregando até que deixou de ver a sujidade na mesma, melhor, pensou, atirou a toalha para cima da cama e pegou no fato amarelo vestindo-o, parecia que estava dentro de uma saco, começou a rir enquanto fechava o fecho do macacão, preparava-se para dar uma volta para ver como ficava dentro de um saco de batatas amarelo, mas assim que largou o fecho o macaco ajustou-se ao corpo colando-se como uma segunda pele, ficou perfeito pensou.

O senhor idoso estava mesmo na cama ao lado da dela, olhou-o enquanto se vestia, assim que o fato se ajustou ao corpo dele rir, das estranhas formas que transpareciam, o seu membro viril notava-se para lá do fato e desta vez já não era pequeno e mirrado como há pouco.

Sentou-se sobre a cama enquanto outros se vestiam e enquanto esperava que os tempos passassem, começou a pensar para que é que os queriam ali, em que é que eles seriam uteis, e o que faria ali um velho, se o resto eram só crianças?

Deixou-se levar em pensamentos sentada sobre a cama, começando a fechar devagar os olhos cansados de quem não tinha uma noite de sonho descansada há muitos dias, sem dar por si já estava deitada na cama, meio atravessada aos pés da mesma quando acordou sobressaltada com um barulho irritante que ecoou por toda a sala, cessou por pouco tempo e voltou a tocar, parecia uma sirene antiaérea, novamente silêncio e voltou a tocar e a porta abriu entrando um homem de vermelho.

Caminhou entre as camas olhando cado um deles nos olhos, olhou-os de alto a baixo, todos eles vestidos de macacão amarelo, parou diante do idoso, olhou-o com mais atenção do que tinha dado aos outros e numa língua que não conhecia disse-lhe algo, o idoso sorriu e retorquiu na mesma língua, o de vermelho respondeu novamente olhando-o agora de cima ao que o velho lhe baixou a cabeça num sinal de vergonha e começou a chorar.

Dirigiu-se depois para bollarux, olho-a bem cá de cima, apesar de Bollarux ser alta para a sua idade era muito mais pequena do que aquele homem de vermelho, tapado da cabeça aos pés apenas se viam os olhos, os olhos era do mais profundo azul como os dela, tirou uma mão de trás das costas e tocou-lhe no cabelo, tinha luvas vermelhas também.

- Cabelo escuro, que estranho, já olhas-te em redor? São todos louros de olhos azuis, já tinhas reparado? Cabelo preto, como é possível esta ser pura? Como?

A última palavra foi gritada mesmo junto aos ouvidos dela, tremeram-lhe as pernas e sentiu uma ponta de medo a crescer nela, quis responder mais apenas lhe saiam lágrimas.

- A chorar? Um puro não chora, o que é que isto faz aqui? Isto não devia de estar aqui, Romell!!!

Gritou mais uma vez, um fato preto entrou na sala a correr parando mesmo ao lado do homem de vermelho, que lhe gritou ao ouvido na sua língua materna, língua essa que não percebia e começou a ficar ainda com mais medo, o homem de preto puxou-a pelo braço de tal forma que foi arrancada do chão dando um pulo em frente.

- No net Vadis!!! – Gritou o homem idoso vestido de amarelo que fez com que o de preto estucasse ficando imóvel com Bollarux pela mão.

O de vermelho virou-se e preparava-se para atacar o homem de amarelo quando dois outros de vermelho entraram na sala.

- Podem sair todos pela porta amarela que vai surgir, lá terão comida que não comem à dias e precisam de forças, menos tu e tu!

Gritou um dos homens de vermelho que entrou na sala apontando para o idoso de amarelo e Bollarux.

- Vast di vergel! - Gritou o outro de vermelho que o acompanhava, e logo o de preto largou o braço de Bollarux e saiu da sala apressadamente.

Esperaram um momento até que todos os outros saíssem da sala e um dos de vermelho que entraram na sala esbofeteou a cara do outro de vermelho uma e outra vez até que a cobertura que lhe tapava nariz e boca caíram.

- Nat va Vendrell!

O homem de vermelho baixou a cabeça, apanhou do chão os protetores de boca e nariz que Bollarux viu que era uma pequena máscara, duas pingas de sangue caíram no chão, era vermelho como o dela, depois sem dizer nada saiu da sala.

Um dos de vermelho empurrou o idoso de amarelo para cima da cama e apontou-lhe o dedo apenas sem dizer mais nada.

Depois ambos rodearam Bollarux e ficaram apenas a olhar para ela, mexeram-lhe no cabelo, depois deram a volta a ela, mexeram novamente no cabelo e um deles disse.

- O que é que vamos fazer contigo?


publicado por Pinheirinho às 12:34
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