Domingo, 8 de Maio de 2005

Incerto Parte V

Os primeiros raios de sol da manhã passavam já entre os estores entreabertos da janela do quarto, despertei devagar e deixei-me ficar a pensar no dia de ontem, um amor de uma vida volta cinco anos depois entra no meu mundo, remexe a minha alma, desperta velhas e esquecidas emoções e depois como será que fica? Com um homem a controlar a minha vida do outro lado da rua? Também quem me manda a mim dar a minha morada? Só por isso já devia de levar porrada? Que burro? Tentei largar estes meus pensamentos mais negros e cingir-me só no que de bom aconteceu, a refeição na arrecadação que durou horas e horas de conversa, perguntas voaram de um lado para o outro, fiquei a saber que ela têm seguido a minha escrita, que é minha fã e que há muito me descobrira e que demorou quase três meses a ganhar coragem para se mostrar com medo que eu não a reconhece-se, ainda me lembro que lhe disse, “Como seria possível eu não te conhecer, se vives nos meus sonhos? Se a tua imagem está gravada na minha memória, no meu coração, na minha alma, como se tivesse sido feita por um ferro em brasa para me lembrar sempre dos melhores momentos da minha vida.”, ela como sempre, apenas sorriu e corou.

Despertei dos meus pensamentos, com o aroma a torradas que vinha da cozinha, ouvi o barulho do frigorifico a abrir, aquele ranger típico como que a pedir que o reforme, levantei-me, vesti o que tinha há mão e transpus a porta do quarto, a luz da cozinha era a única acesa na casa, segui a luz e vi-a, estava com o meu roupão de banho vestida, o cabelo longo estava solto mas estava seco e penteado, calçava as minhas pantufas que nunca usara e que foram uma prenda de uns amigos da editora, foi estranho vê-la ali com duas mamas calçadas, sorri, entrei logo de seguida e ela voltou-se devagar, deu-me o mais sincero dos bons dias, estava com um novo brilho nos olhos, uma nova vida parecia acender-se dentro dela, ela ficou estática a olhar para mim, eu olhei-a embasbacado, ela sorriu e arqueou a sobrancelha direita e fez um gesto com as mãos, como quem pergunta o que foi.

- Nada, mas as pantufas são lindas!

- Obrigado, achei-as ainda dentro da caixa, estou a ver que lhes dás um enorme uso. – disse fazendo um gesto com os lábios que me fez soltar uma gargalhada, ao qual ela respondeu com outra, o que nos deixou a ambos há entrada da cozinha a rir feitos dois patetas, depois ela ainda a sorrir mas tentando colocar um olhar sério me diz.

- Vá senta-te, fiz o pequeno almoço!

- Não era necessário, mas obrigado! – agradeci sorri e dirigi-me para a cadeira mais próxima.

Sentei-me na mesa e tinha há minha frente duas torradas, um copo de leito com chocolate, duas vermelhas maças e um copo de sumo de laranja, provei o leite com chocolate, ainda estava quente mas era como se tivesse sido feito por mim.

- Como sabes que gosto do leite com excesso de chocolate e com igual dose extra de açúcar?

- não sabia.

- Adivinhastes?

- Talvez tenha sido o próprio cacau, é que ao pô-lo no leite o entornei em demasia e depois abusei no açúcar para esconder o sabor amargo do exagero.

- Olha, parece que tenho um cacau inteligente em casa e não sabia, ele até sabe do que gosto.

Ela riu mais uma vez e disse, apontando para um canto da mesa.

- Tinhas, é que o que não caiu na caneca, caiu na mesa e no chão e acho que está......morto!

Recomeçámos novamente a rir como dois patetas alegres, e estivemos assim até ao fim do pequeno almoço, volta-mos a por a conversa em dia, rimos de coisas do passado, lembramos pessoas e lugares, comentámos situações, fizemos uma viagem até aos bons velhos tempos até que ela me olha com uma certa tristeza nos olhos e me pergunta.

- Lembras-te da última vez que nos vimos?

- Como se fosse hoje. – respondi baixando a cabeça como que tentando atirar um mau momento para fora da minha cabeça.

- Eu fui uma parva, Bino.

- Não o fostes, não, eu é que fui, nunca lutei por ti o suficiente, tu querias estabilidade e eu estava obcecado em entregar o livro ao editor, eles queriam publicá-lo e eu estava sem tempo para nada, nem mesmo para tratar do meu futuro, eu passei-te para segundo plano, nunca o devia ter feito, hoje sei isso mas há cinco anos atrás não sabia nada.

- Sim, mas eu podia ter esperado um pouco mais, quando te disse que ia casar senti-te a morrer perante mim, senti que a tua chama se apagava, eu fui demasiado precipitada na minha decisão.

- Foste-o porque te levei a isso, peço desculpa Daniela.

- Não Bino, não peças estavas num grande stresse e eu só pensava em mim, eu fui egoísta e esta foi a minha paga, eu sempre te....

Vi a s lágrimas nos seus olhos e silenciei-a com um beijo nos seus lábios, olhei-a nos olhos e outros beijos se seguiram, depois ficamos ambos abraçados e quietos a sua boca estava ao lado do meu ouvido esquerdo e além de a ouvir ainda a chorar senti uma lágrima cair no meu ombro e descer pelas minhas costas até se fundir no tecido da camisola.

publicado por Pinheirinho às 18:55
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