Segunda-feira, 17 de Outubro de 2005

Incerto Parte X

Hoje é o sétimo dia de consciência, se é que alguma vez a tive, mas é o sétimo dia desde que acordei, já sei que é hoje que vou para casa, parece que estou em condições para isso, estava a ficar farto destas paredes brancas de hospital, dos gritos nos corredores, os gemidos das camas ao lado da minha, da falta de privacidade para se ter uma conversa, saudades da minha musica, do meu portátil, principalmente deste, tenho tantas coisas na cabeça e não o tenho há frente para fazer um “download” de informação, mas que se lixe desta vez tenho mais em que pensar, já há muito sabia que não viveria para sempre, então agora sei que viverei ainda menos do que a média, por isso tenho é de aproveitar, a mulher dos meus sonho está a meu lado, não sei até quando ou por quanto tempo, mas seja o que for será um tempo sempre bem passado.

Ouvi o ranger da porta quando ela se abriu, saí de ao pé da janela e dirigi-me para as minhas coisas em cima da cama, sabia que era ela, o seu perfume entrou-me pelas narinas e percorreu-me a alma como uma lufada de ar fresco nas quentes tardes de verão, ela ficara de me vir buscar, queria mostrar-me uma coisa, queria falar a sós comigo, no hospital não fora nada fácil, não depois de ter saído nos jornais que o escritor português de “High-Fantasy”, Albertino Cardoso, estava em coma há mais de um mês no hospital de Santa Maria, os fãs, jornalistas e simples curiosos faziam vigílias, que incomodava o sono de muitos por aqui, mas depois de sair do coma todos me queriam ver e isso era bem difícil, para quem apenas queria estar sossegado.

– Estás pronto? – perguntou ela ao chegar de tal maneira perto que esborrachou os seus lábios nos meus.

– Sim, vamos então?

– Vamos. – disse ela soltando um sorriso, e esticando a sua mão para agarrar a mala que estava em cima da cama.

– Ei, linda, não leves a mal mas não parti nenhum braço e isto não é trabalho para uma flor delicada como tu. – disse eu enquanto de um salto agarrei a mala e corri para a porta, olhando para trás e deitando um sorriso sarcástico.

Reparei que as suas faces se roborizaram, mas logo colocou uma cara séria.
Depois de entrarmos no carro dela, seguimos até ao jardim do campo grande logo ali ao lado, onde passeamos um pouco até que ela se sentou num banco e bateu com a sua mão no mesmo dando a indicação que eu me sentasse, o que eu fiz, ela colocou a sua mão sobre o meu ombro e colou os seus lábios aos meus, depois de os descolar, colocou a suão mão livre na minha face e com o maior dos sorrisos lá começou a deitar para fora o que tanto me queria dizer.

– Bino, tenho de te contar uma coisa!

– Força linda, sou todo ouvidos, o problema é a cera e o que gasto em cotonetes.

– Para com isso, é sério! – repreendeu-me ela com um sorriso nos lábios

– Desta vez o assunto é sério. Senti-me a corar.

– Bino! – disse ela com a voz mais doce que os meus tímpanos alguma vez tiveram o prazer de ouvir.

– Desde que fostes internado, que vivo em tua casa, estava em processo de divórcio e agora que está concluído estou livre, por isso gostava de te dizer que te amo. – senti uma enorme satisfação a subir dentro de mim, o fim dos sonhos e o passo para a realidade.

– Por isso gostava de te dizer que, quero passar o resto dos meus dias a teu lado.

– Não sei se duro assim tanto.

– Não sejas parvo, segundo o médico chatearás a cabeça ás pessoas durante ainda muitos e muitos anos.

– Então se assim for podes fazer parte da minha vida, sempre! Nesta e nas outras que se seguirão.

– Por enquanto esta chega. – senti o seu sorriso a percorrer-me a alma, mas passou depressa a uma face séria, ajeitou-se melhor no banco, colocou as suas mãos sobre os joelhos, olhou para mim. – Além disso tenho uma coisa para te dar!

– A sério, obrigado, mas não era preciso mais nada o teu amor é mais do que aquilo que mereço!

– Mas quero dar-to há mesma.

– Então eu aceito, mas só o faço porque és tu que me dás. – ela olhou-me ainda mais fundo nos olhos depois a sua mão procurou a minha, agarrou-a firmemente e levou-a até há sua suave barriga. – Vou dar-te um filho.

– Estás grávida? – perguntei eu em espanto e satisfação. – A sério?

– Sim a sério, acha que brincaria com uma coisa destas?

– Não, claro que não, obrigado linda, de uma assentada só decides satisfazer todos os meus sonhos, amo-te! – ela corou, e desta vez fui eu que nem lhe dei tempo para falar colando os meus lábios aos dela e assim ficámos, parando apenas por poucos segundos para recuperar o fôlego, até que o sol decidiu desaparecer por detrás das árvores e prédios e deu lugar a uma lua cheia e branca naquela noite do principio de outono em que as folhas se agarravam ainda com força ás suas árvores mães, mas onde muitas das suas irmãs já jaziam por terra.

publicado por Pinheirinho às 22:38
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