Sábado, 22 de Outubro de 2005

Incerto Parte XI

Achava-me o homem mais feliz do mundo, a mulher dos meus sonhos estava comigo, aquela a que chamava minha casa passou a ser a nossa, os meses iam passando, e parecia-mos o mais belo casal de namorados que algumas vez se viu, era impossível estar um longe do outro, tudo o que fazíamos era passar cada segundo que os relógios batiam colados um no outro, a sua barriga crescia a olhos vistos, ali dentro estava uma criança, nossa, nascido do amor entre ambos, fazíamos as mais belas conjurações futuras.

– Eu acho que sairá ao pai, olhos azuis e louro.

– Louro? – retorquiu ela com uma gargalhada – Descolorado, talvez! Mas sairá é a mim.

– Se sair a ti será mais um problema.

– Problema, porquê?

– Com esses olhos verdes cor de jade, será a maior arrebatadora de corações que este mundo já viu.

– Arrebatadora? Mulher portanto?

– E porque não, seria bonito ter as mais belas mulheres do mundo em nossa casa não achas?

– Tu e ela portanto?

– Para mulher sou um homem muito feio.

– Para mim não, és o meu lindo.

E quando esta conversa se esgotava, passamos aos nomes, uns totalmente disparatados, outros seriam verdadeiros atentados ao bebé, depois há os corriqueiros, e acabava-mos sempre por ai, apesar de há muito estar escolhido, Marco se garoto, Silvia se garota, mas mesmo assim fazia-mos grandes novelas literárias de nomes, foram os mais belos quatro meses de vida que uma alma como a minha podia ter, e faltava ainda um mês até que passasse-mos a ser três lá por casa, por isso mesmo e sabendo que depois os momentos de pausa seriam uma coisa bem rara, comecei a acelerar o processo da escrita de um novo livro, mesmo nessa tarefa estava-mos lado a lado, desta vez não a poria de parte, nem pensar ela sempre primeiro depois tudo o resto, mas era da escrita que eu vivia, ela tinha o seu trabalho num escritório de advogados mas desde que decidiu fugir de casa e me procurar que toda a sua vida teve de ser abandonada, por isso agora, vivia-mos do que eu escrevia, nunca fora muito, mas como lhe dissera, dava para viver sem luxos durante o resto da vida, principalmente se continua-se a escrever.

Durante todo este tempo a dois, nem uma palavra sobre o que acontecera antes fora trocada, nem uma lágrima fora derramada, nós sorriamos quase por tudo e por nada, a alegria há muito voltara para ambos, os seus olhos eram do mais brilhante verde jade que se podia ver, o seu sorriso era a mais bela visão, a perfeição dos deuses, ela para mim não nascera, fora criada a partir do mais fino e requintado barro celestial pelo mais perfeccionista dos deuses, ou então fizeram uma junta de escultores e pintores renascentistas, e decidiram criar a mais bela das mulheres, ela era a brisa de primavera na mais quente tarde de verão, o por do sol desses fins de tardes em que a réstia de nuvens existentes nos azuis céus ganham depressas as cores alaranjadas, amarelas e vermelhas criando a verdadeira grandeza e beleza dos céus, ela era o arco íris que rasga um céu coberto de nuvens de chuva incessantes, trazendo a bonança aos corações dos homens, ela era a mulher perfeita, neste mundo de imperfeições, era tudo isto e muito mais, palavras teriam de ser inventadas para a descrever.

publicado por Pinheirinho às 20:17
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